A Estrutura da Armadilha
A inércia organizacional não é um problema com solução. É uma armadilha onde as forças que criaram o sucesso são idênticas às forças que impedem a mudança. Quanto mais forte a execução, maior o custo da revisão.
Um problema tem uma solução alcançável de dentro da situação. Uma armadilha não. A diferença importa porque executivos são treinados para tratar toda situação difícil como um problema, algo que cede à análise, aos recursos e à vontade. Armadilhas não cedem. Elas apertam.
A inércia organizacional é uma armadilha, não um problema. As forças que tornaram a estratégia bem-sucedida são as mesmas que tornam a revisão cara. Os processos construídos para executar a estratégia precisam ser parcialmente desmontados para revisá-la. A cultura formada em torno dos resultados vai ler a revisão como um ataque ao que funcionou. As pessoas contratadas para operar o modelo vão viver a mudança como uma reprovação de sua competência. Nada disso é irracional. De dentro da organização, desmontar o que a estratégia construiu parece exatamente destruir o que funciona, porque em certo sentido é isso mesmo.
Quanto mais forte a execução, maior o custo de mudança. A organização que mais se destacou na estratégia atual é exatamente a que tem mais a perder ao revisá-la. O sucesso não é só um indicador defasado do alinhamento passado. É um obstáculo ativo à adaptação futura.
O executivo que espera a evidência se tornar inegável antes de começar a revisão já perdeu a janela. A armadilha não se anuncia. Ela fecha gradualmente, através de mil pequenas decisões que cada uma fazia sentido no momento, até que a pressão é urgente e o custo não é mais uma escolha.